quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Contra-folia: a primeira edição do Lista Pertinente

ListaPertinente
É Carnaval... há um clima de antecipação no ar. Pelo tanto de propaganda por aí, você sente como se a cidade fosse sacudir ao primeiro som do tamborim & apito (ou aos primeiros acordes daquele frevo típico, aquele que toca TODA VEZ. O mesmo frevo. Não muda. Você sabe de qual eu estou falando...). É isso aí, vai baixar a Globeleza em todos nós, vamos todos pular freneticamente, cobertos de purpurina, como se não houvesse amanhã...
Se você estranha essa visão, e tem medo desse clima de excitação e felicidade quase obrigatória que assola nossa existência nesses próximos 4 dias, não se preocupe. Você veio ao lugar certo!
Para contrabalancear esse clima exacerbado de folia, o Papo Pertinente fez uma seleção de músicas que vão realmente jogar esse clima carnavalesco no lixo.
Eis as 6 músicas mais TRISTES que eu consegui compilar. Estamos lidando com coisas pesadas aqui, mas não são para deprimir ninguém, somente para trazer equilíbrio no momento de euforia absurda, laiá laiá, bumbumpraticumbumprugurumdum...
Aperte o play e sinta a vibe Carlinhos de Jesus deixando o seu corpo...
- Pra começar, nosso representante brasileiro te leva direto pro poço com um vento forte que espanta qualquer animação. Renato Russo é especialista em deprê, confie nele.
- Essa é uma regravação sorumbática de uma música dos anos 80 do Tears for Fears. Ele canta "I find it kinda funny, I find it kinda sad". Olha, eu acho só sad mesmo.
- O bordão "Elliot, me esfaqueia" vem daí. Afinal, não dá pra ouvir essa música sem sentir a dor de um amor se esvaindo, a depressão chegando, todos os seus planos arruinados, tudo acabou, vou me embebedaaaaaarrrrr...
- O clássico dos clássico das músicas tristes. Fala a verdade, você já ouviu essa música e chorou, não é? Viu o clipe e não tirou aquilo da cabeça por hooooras...
- Você pode não entender nada de inglês e sentir que essa música é TRISTE. Mas se você manja e capta que o Sufjan fez a canção sobre o serial killer Palhaço Assassino, aí amigo... aí é que você sente a TRISTEZA (com caps!) e tipos, não dorme mais à noite...
- Pra fechar com chave de ouro, regravação do Nine Inch Nails do último CD do Johnny Cash. Música e clip são de matar. Bono Vox chorou. Você também vai chorar.
É isso aí galera. Taí o Lexotan necessário pra sossegar depois de tanto frenesi. Mas cuidado, doses exageradas podem fazer muito, muito mal e te jogar num poço se volta de sorumbatice. Se beber, não dirija, use camisinha, ouça essas músicas com parcimônia.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Uma análise linguística pertinente... ou Cante com o Thiê:

- Por Marcos Vasconcellos (colaborador pertinente).

Artistas à frente de seu tempo costumam ser mal interpretados durante a vida e compreendidos e admirados postumamente, por estudiosos. Muito daquilo que se discute hoje no mundo artístico é como se fazer reconhecer enquanto ainda se tem a chance de gastar todo o dinheiro que normalmente iria para bisnetos fanfarrões. Os lingüistas (com trema ou não – obs: mas nunca trema em cima de Línguas) são pessoas capazes de analisar discursos e linguagens interpretando seus diversos significados, o que é muito útil para se valorizar (ou esquecer completamente) certa forma de expressão.

Hoje o leitor vai poder analisar o uso da linguagem por uma promissora banda brasileira e discutir, tuitar, blogar ou simplesmente fingir que nada aconteceu.

Dê o play na música e acompanhe a letra, da banda que é o orgulho da Tijuca, Lion Heart, com o hit “Eu vou te devorar”:


Ô zanôtzy vôtzy lôquedzer
Com um bâeijo vodze vá dgemêar

Dédza veyzy dzovôu tsiconguistar

Com dzerteza vodze vai gosdzar


Uéuá gradseço podzer azudzar

Qualquiér mãnína ca cãera endregar

Seu corazãoça alma entztino

Amor libertxino

Eu bôu de dar


Pódsse mãnina, pódsse mozinha

Mássi fô baranga nom vá dzar

Pódsse biranha, pódsse galinha

Mas dzi qualquer zeit eu vô dzandtzar


Uéédza nôtzy votzilôquecear,

Gon mil carídzias vodze ba dzemêu (uóóó)

Todúm feussonhofs vô realidzar

Cuidáádu para não siapaisxonar


Uéuá gradseço podzer azudzar

Qualquiér mãnína ca cãera endregar

Seu corazãoça alma entztino
Amor libertxino

Eu bôu de dar


Pódsse mãnina, pódsse mozinha

Mássi fô baranga nom vá dzar

Pódsse biranha, pódsse galinha

Mas dzi qualquer zei teu vô dzandtzar

...

Menina, eu vou ti devoráár
(Solinho, só pode ser o Bruuuueeeiiinnnndooooon)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Weber explica

Se sua mente faz associações estranhas, a gente pode tentar desvendar...

Marcos: Okay, algum vizinho do escritorio ouvindo " I'm blue" do Daft Punk. Sempre penso em canta "um tapinha não dói" quando ouço essa música...
Weber: essa musica n é do daft...
Marcos: deusss... meu mundo caiu. Sério.
Weber: É por que você ouve "I'm blue" e lembra de pessoas azuis... As pessoas azuis do clipe de ONE MORE TIME, que é do Daft Punk. Weber explica.
Marcos: Thanks. Eu lembro dos anúncios da Tim agora também.

Cuidado ao ver Avatar... você pode pensar que é estrelado pelo Blue Man Group com trilha sonora do Daft Punk cantando "I'm blue"...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Muito fácil ser indie hoje...

Tem muito indie nesse mundo e o próprio fato de ter muito indie meio que depõe contra a categoria, que sempre prezou pela formação de praticamente um "bloco do eu sozinho" ouvindo as bandas mais descoladas: uma vez que a banda caía no gosto de gente demais, não era mais legal. O indie, assim como o emo, também adora dizer que não é indie, que é eclético, que não pertence a nenhuma categoria pré-idealizada, que quer ser considerado um ser individual e costumizado, mesmo que eles usem os mesmos óculos de vovó, as mesmas calças, a mesma camisa xadrez, o mesmo All Star...
Não sei quem são esses caras, mas eles são indies, tá na cara.
Gente, eu falo isso sem o mínimo de preconceito porque eu sou indie. Eu tenho All Star, camisa xadrez, até comprei um Ray-Ban que fica enorme em mim, mas tudo bem... eu só não escondo as bandas e músicas que eu gosto. Eu mando pros amigos por e-mail, faço CD, mixtape... Enfim, eu tento ser indie porque curto a música e tenho tentado desde o tempo em que era difícil ser indie. Quando digo "indie", me refiro ao fato de gostar de coisas que muitas vezes ficam fora do mainstream. Acertado isso, vamos em frente...
Ok, tem muita oferta de música ruim hoje em dia, emos, axé, pagode, funk, mas, convenhamos... com a Internet, você está livre das amarras da programação estabelecida pela MTV e pelas emissoras de rádio. Você tem um mundo de músicas novas, antigas, obscuras, lado B, versões ao vivo, acústicas, raras. Você não precisa garimpar nada em antiquários e brechós. É só jogar NOME DA BANDA + TORRENT + DOWNLOAD. Enfim, você só precisa ter bom gosto, né? Porque você também pode baixar a discografia do Asa de Águia se quiser...
Se você está lendo isso e é adolescente, deixa a tia explicar que houve um tempo em que eu demorava 1 hora pra conectar na linha discada do iG e mais outras 3 horas pra baixar uma música do Placebo e meia do David Bowie. Há 10 anos nós tínhamos direito a 1 (UMA) hora de programação rock na extinta Rádio Cidade, um oásis no meio do pop no-brainer que tocava naquela época. Se você não gostasse de Backstreet Boys e N'Sync, como eu, você ia ouvir o Cidade do Rock e ficar muito agradecido por isso. Você conseguia ver um clipe legal na MTV se ficasse esperando por algumas horas (se bem que hoje em dia é assim também). Mas hoje tem o YouTube, amizade. E isso faz TODA a diferença...
Depois do Rock in Rio, em 2001, as coisas melhoraram um pouco. A Cidade virou "a rádio rock", todo mundo começou a dizer que curtia rock e tudo foi ficando bem mais fácil, acompanhando a evolução das telecomunicações. Mas antes disso, eu penei muito para conhecer as coisas boas. Conheci Beatles porque minha mãe me levou pra ver uma sessão especial de Hard Day's Night no Odeon (o que considero uma das coisas mais legais que ela já fez). The Doors, porque um tio de uma amiga deu um CD duplo pra ela e eu resolvi malocar. Curti uma fossa amorosa ao som dele, memorável. Conheci Glam Rock porque um dia esbarrei com "Velvet Goldmine" passando no Cinemax. Outras coisas, garimpadas das milhões de horas gastas assistindo MTV. Smashing Pumpkins, Oasis, Garbage e Stone Temple Pilots vêm desde a infância...
E para baixar tudo isso, hooooooras com o risco da linha cair, pedindo pra galera de casa esperar mais um pouco pra fazer um telefonema...
Mas pelo menos eu posso dizer que a minha agenda de 99 tem foto do Kurt Cobain e dos Smashing Pumpkins em vez do Nick, Brian e... quem mais mesmo? Na de 2001 eu escrevi letras dos Foo Fighters, QOTSA e Green Day.
No fim das contas, devo admitir que era mais difícil ser indie, mas era mais barato. Lembro que (tá na agenda de 99) que eu comprei meu all-star preto por R$ 21,90 na DiSantinni (no mesmo dia em que eu comprei o primeiro cd do Garbage na Saraiva por R$ 13,90). Vai ver quanto é hoje!!! Comprei esse ano passado...
Elliot, me esfaqueia...